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sábado, 18 de dezembro de 2010

E aí, mano!

por Natacha Orestes


Pixação. Pixo. Assim mesmo, com x, porque é como os donos desta prática escrevem. Palavras de quem nunca saiu andando com um rolinho ou spray na mão, mas que já estudou em escola estadual da periferia do interior de São Paulo e é amiga de várias pessoas do rolê. OS + IM (Os Mais Imundos) RGS (Registrados). Conheço gente dessas duas bancas, que inclusive não se bicam.
Durante a época do colégio, muitos dos meus amigos trocavam as famosas folhinhas. Folhas sulfite, dobradas horizontalmente duas vezes ao meio, para medir, sem régua, o papel em quatro partes iguais
.
É nesta folhinha que tudo começa, que um veterano da banca inicia um novato, e este, por sua vez, vai treinando a precisão das letras. E muitos deles, novatos e veteranos, nem imaginam que o estilo dessa tipologia é muito cultuado lá na Europa. Lá, o que aqui todo mundo chama de vandalismo, virou arte. E virou até assunto da Bienal 2010.


O melhor de tudo é que os pixadores não dependem disso para legitimar o que eles mesmos já reconhecem como arte. Eles não precisam da concordância da Europa, da classe média ou alta para isso: apenas de seus muros e prédios. Dependem apenas de escaladas, flexibilidade, fôlego pra correr da polícia, treino com as folhinhas, irreverência e criatividade. Para mim, é arte sim. Questão de opinião pessoal, que se mistura também com as minhas origens. Estou com a Europa, antes mesmo de saber que a Europa estava com eles.
Os pixadores alcançam os olhos de quem não quer ter olhos pra eles. A proposta é mesmo invadir. Da mesma maneira que a propaganda de celulares e tênis caros invade as casas daqueles que não têm dinheiro para bancar a vida que empurram para eles como certa, boa e válida.
Obviamente não é justo invadir o espaço privado. Assim como quem é esquecido pela sociedade não leva uma vida justa: a noção que eles têm de justiça é outra. É a noção de justiça de quem precisa de um sistema de transporte de péssima qualidade. De quem não tem seus direitos de cidadão preservado. De quem não teve acesso à educação ou estrutura familiar. E que encontraram um meio de se fazerem vistos.
Toda arte que se preze nasce de uma inquietação, de um conflito. É só olhar pra trás para constatar que a arte é transgressora do establishment. É claro que eu não vou sair de latinha e rolo na mão, pixando prédios altos e muros brancos, e nem vou dizer que é o que todo mundo deveria passar a fazer. Mas fica aqui o convite para que vocês lancem um olhar com menos preconceito e mais compreensão a este respeito. E aí, mano, qual a sua opinião?

“Arte é a expressão mais pura que há para a demonstração 
do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é 
sensibilidade, é criatividade, é vida” (Jung, 1920). 



12 comentários:

  1. Na minha opinião Pixo não é arte. Pra mim arte não é somente a liberdade de expressão, no momento em que essa liberdade ultrapassa o limite do respeito deixa de ser arte. Você disse que a proposta é mesmo invadir do mesmo modo que a propaganda invade a casa de alguém...eu não consigo ver como que a invasão de uma pixação no muro da sua casa pode ser dar do mesmo modo que a da propaganda. Se alguém se sente "invadido" ou incomodado com a propaganda basta desligar a tv ou o radio, o que for. Pixar a casa de alguém é o mesmo que mexer no que não é seu. Todo mundo tem o direito de expressar sua arte, sua opinião, se manifestar, mas não temos o direito de obrigar alguém a conviver com essa "arte". Se eles querem ser notados, há várias maneiras de fazerem isso sem invadirem dessa maneira o espaço do próximo, como por exemplo, mostrar essa "arte" num pedaço de papel e divulgá-la, assim talvez fosse devidamente apreciada.
    Uma arte deve ser apreciada por livre e espontânea vontade, e não imposta.
    Não estou sendo preconceituosa, concordo que essas pessoas merecem ser notadas e devem ser tratadas com respeito e uma verdadeira justiça, mas nada, NADA dá o direito delas saírem pixando nossas paredes. E quando isso ocorre, não deve ser chamado de arte. Pois antes der ser liberdade de expressão, isso é desrespeito ao
    próximo.

    Bárbara

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  2. Não sei o que dizer...
    Só sei que defendo desenhos feitos em carteiras de escola!

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  3. É arte, sem dúvida, já que expressa a emoção dos transgressores, talvez até seja aceitável como protesto neste pais tão desigual, mas de qualquer maneira é um incomôdo em tanto. O pixe deveria ser utilizado como uma forma de reivindicar os direitos das camadas mais pobres, mas em pontos chaves, como os própios gabinetes de políticos por exemplo...Mas de qualquer maneira é abominável a pixação como mera forma de "marcar território".

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  4. Ana Luísa Guimarães21 de dezembro de 2010 16:40

    Eu não sei o que eu acho não. Quer dizer, arte pra mim tem lugar. E eu certamente não ia querer que a parede da minha casa fosse feita de tela. Quanto ao texto, adorei... Deu-me informações que eu desconhecia :D

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  5. Bom, grafite é arte... já foi até institucionalizado, como bem disse a Natacha, sobretudo após o reconhecimento da obra de Jean-Michel Basquiat na década de 70. Fenômeno visual-social que tomou as ruas em forma de protesto e expressão, gerou e gera controversias quando se posiciona no limite entre o grito e a ofensa nas paredes privadas.
    O que é ou não arte não é bem uma questão, porém as manifestações tidas popular ou institucionalmente como artísticas geram pensamentos e sensações que acabam sendo seu próprio combustível e meio de legitimação.
    Se é ou não arte não me interessa tanto mas se há movimentação e combustível para alimentar tal atitude inquietante é por quê há algo mais a ser debatido oriundo de tal manifestação.

    Só para rechear aqui está um blog com postagem sobre artistas brasleiros reconhecidos mundialmente dentro do meio Grafite, em uma situação cultural interessante: http://nuvemsobreoatlantico.blogspot.com/2007/09/os-gmeos-grafite-pela-europa.html

    Quem se interessar também pela composição de video com o grafite pode acessar também:http://www.youtube.com/watch?v=uuGaqLT-gO4

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  6. Bruno... GRAFITE já é tido como arte há um tempo, legitimado por tanta gente que chega ao ponto de pagarem pra terem seus muros coloridos. A questão do texto da Natacha é outra: "pixo" é arte?

    Nem tudo é relativo, mas os significados são particulares, frutos de contextos. Por isso, uns dirão que sim, outros que não. Francamente, não consigo ver uma natureza do que seja arte (local ou forma de expôr). Agora... se é arte pra mim? O importante, creio, é o efeito: a pixação abala e protesta - ainda que, saibamos, tem muita gente fazendo por motivos muito menos políticos. Vocês acham que é errado porque agride? Então Chico Buarque era errado porque reagia à ditadura? Ora, se faz bem ou não, depende de sua posição.

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  7. A questão é: arte pra ser arte tem que ser feita pra ser arte? E, se sim, arte pra ser arte tem que ser feita para um público que a legitime como tal?

    Quem nasceu primeiro, a arte-em-si ou o conceito de arte? Na minha opinião, a arte nasceu antes da palavra arte. Ou será que "arte rupestre" não era arte, só porque os homenzinhos naquela época não sabiam da existência dessa palavra e não conheciam o conceito?

    R.A.B, a questão é mais profunda do que simplesmente desligar a TV quando somos bombardeados por publicidade. Infelizmente o povo brasileiro não é educado o suficiente para ser crítico e desligar a TV ou simplesmente ignorar o outdoor. Então o que acontece? Aquilo se torna uma necessidade pra ele. Ele também quer ter aquele tênis. Ele também quer ter aquele celular. E não encontra meios em si mesmo para refletir se realmente precisa daquilo, se o produto não está sendo empurrado goela abaixo.

    De todos nós, eles sãos os mais desrespeitados. Enquanto eles pixam nossos muros, nós permitimos que a dignidade deles seja pixada e pisada. E ainda os culpamos pelas consequências. Não que eles sejam uns anjinhos. Mas culpados eu sei que eles não são.

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  8. Concordo em partes Naty.

    Mas tenho certeza que um vagabundo pixando os dizeres "Aki eh Zl - Aki eh curintia" na minha parede que acabei de gastar um nota pintando, nao é e nunca será arte. É direito de se expressar? Sim, a constituição já diz, desde que não ferir o direito do proximo. Pixação sem autorização = Vandalismo.

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  9. Continuando...

    Pixação é um termo utilizado para se referir ao grafite como contravenção. Incrições em espaço público, delimitado ou não para tal intervenção urbana, podem ser tidas como grafite e em alguns países nem há uma paravra para a distinção entre um e outro. A legitimação acontece para o Grafite em geral como inscrições em espaço públicoe também enquanto técnica. Este tipo de legitimação com relação a História da Arte é apenas um englobamento de manifestação cultural, tida antes como marginal, para dentro da instituição.

    Classificar algo que não é feito para ser arte como arte é uma ação externa à de quem fez aquilo que foi chamado, posteriormente, de arte. Interessante é o fenômeno e sua repercussão, se é ou não arte é caso para quem deseja legitimar e não participou da criação ou ação principal, ou seja, não muda a ação já ocorrida. O cara das cavernas n tava ae pra ser classificado como arte, para ele aquilo era um ritual mágico para atrair comida... se funcionava na cabeça dele... blz. Acho interessante haver espaço para o grafite, falando em modo geral, portanto englobando o pixo, em museus de arte.

    A palavra arte tbm pode servir para classificar algo como boa técnica... arte marcial... blablabla... não apenas para uma criação derivada historicamente da Arte ou que com ela tenha algo a dialogar. Neste sentido pixo é arte com certeza... pois é uma aptidão e desenvolvimento técnico.

    Concordo com a Natacha com relação à publicidade.

    ^^

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  10. ola sou valdecir ou na pixaçao vdc sou expixador parei recentemente quando se fala se pixo e´arte ou nao ou se e´crime ou nao as pessoas esquecem ou nao sabem que tanto o pixo quanto o graffite sao crime perante a lei ,nao ha aparentimente diferença alguma entre o pixo eo graffite anbos sao iguais tanto na lei quanto no modo de ver ,por exemplo se vc faser um pixo e colorir ele vira um graffite ou se vc faser um graffite e nao pintar altomatcamente se tornara um pixo a questao sao as cores ,eu como pixador palestrante inventor de projetos relacionado a cultura urbana tenho ampla certesa que o pixo e´arte assim como o graffite e outros tipos de coisa que e´rotulado a arte. estou tambem no twitter @vdcvalqualquer duvida estarei por la para responder a todos.

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  11. Esse preconceito parece estar longe de ser superado, mas os tempos mudam... grafite também era considerado um vandalismo antigamente, até arte Moderna em 22 foi ridicularizada... sempre haverá uma arte negada!
    Mas eu axo que quando acabar o preconceito e a negação da sociedade ao pixe, a maioria dos pixadores irão inventar outra forma de arte, pois a intenção do pixe é impactar!
    Por esse motivo que, para eles, quanto mais difícil for o local do pixe, melhor eles são considerados. E outra, já existem locais próprios para pixe, e estes são usados pelos play boys querendo ser malandro... porque o malandro continua pixando prédio!

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  12. Grafite sim, incontestavelmente é arte. Pixo não sei bem ao certo, definir arte é sempre complicado. Dentro da perspectiva estética, está longe de ser, mas sendo mais amplo, levando em conta a expressão social e o caráter trangressor, pode ser considerado um movimento artístico. Só questiono se é ou não válido atacar propriedades privadas (não, não é um discurso de classe média preconceituosa) é mais eficaz agredir o Estado, que tem o dever de olhar e cuidar do povo, que deveria servir as classes mais baixar e defender suas direitos.

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