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domingo, 30 de janeiro de 2011

Não estou só

Senhoras e senhores, prometo que este terá sido nosso último ligeiro sumiço. A partir desta semana, teremos datas fixas para cada seção, então ficará mais fácil acompanhar o blog de acordo com vossas predileções. Nesse caminho, contamos com vocês duplamente - como leitores e co-autores do CR. 

Sei que não estamos sós. Escreve que eu te leio! 

Confira o texto selecionado da semana...
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por Paola Ayala

Não tive festa de 15 anos. Nem de 18. Nunca fui a Porto Seguro. Não passei  o colegial na farra. Não fiz cursinho. Não aprendi a jogar truco. Não passei a faculdade no bar. Não fiz faculdade tradicional (optei pela praticidade). Nunca fui a um Juca. Não tive festa de formatura. Não conheço música eletrônica. Não entendo de videogames mais do que saber passar as fases (e olhe lá). Não decoro filmes. Não gosto de Star Wars. Nunca tive paciência pra ver O Poderoso Chefão. Não sou muito fã de nenhuma personalidade famosa, nem mesmo um pouquinho fã. Mas isso não me impede que eu admire o trabalho de alguns. Não morro por um time de futebol, e minha vida definitivamente não é dependente dele.  Não gosto de Chaves. Não faço parte de uma só tribo: prefiro fazer parte de todas com as quais me identifico. Para mim, tortura é ter de escolher apenas um grupo para ser fiel. Não tive ciúmes da minha mãe com os meus amigos. Não tenho boa memória para dados e números. Ainda não achei religião na qual acredite…

… Pois é. Toda vez que eu falava sobre algum desses fatos, recebia de volta expressões de espanto e indignação. Como assim você não aprendeu a jogar truco?, diziam. E então, a cada item que se somava à minha lista imaginária, eu me sentia mais e mais diferente. Me perguntava: Será que eu sou mesmo tão esquisita? Mas não sabia encontrar a resposta. Passei a preferir me calar, ou inventar qualquer desculpa para parecer parte do grupo onde eu me encontrava, naquele momento.

E foi conversando com grandes amigas que percebi que não estou assim tão sozinha. De repente, a grande maiorias das coisas que eu não fiz ou não sou, também são coisas que muitas outras pessoas não fizeram e não são. Essa lista não vai parar de crescer. Sempre irão surgir novas (ou não tão novas) coisas que me diferenciam, que me fazem não ser como a maioria. E também haverá coisas que diferenciam um ou o outro, mas que me incluem na maioria. Quer saber? Isso não me faz ser excluída. E definitivamente, não sou esquisita. Decidi que não preciso mais temer que me reprovem por eu não ser algo que os outros são, pois é exatamente isso que me faz ser quem eu sou. É o suficiente.

“E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.”
Clarice Lispector

11 comentários:

  1. "Não gosto de Chaves."

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  2. Muito bom o texto, e não digo isso só pq minhas experiências e opiniões são 99% parecidas com as dela! rs

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  3. Muito bom texto!
    realmente, somos únicos mas não tão únicos a ponto de não encontrar pessoas com quem compartilhar as nossas características.

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  4. Você é esquisita sim... E tenho dito!
    Mas eu gosto de vc assim mesmo! =P

    Mas falando sério..
    Me identifiquei mto e achei mto bom o seu texto!
    Parabéns!

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  5. Sou o oposto de tudo isso. Por isso sou igual a todo mundo? rs

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  6. Gostei... E me identifiquei em muita coisa também ;)

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  7. Pois é... como faz pra não ter rótulo?

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  8. O problema não é SER assim, Billzinho. O problema é achar um absurdo quem não é assim. Tem gente que só porque sabe um monte de cultura inútil, acha que tem o rei na barriga e é melhor do que os outros. E dá uma excluída e uma desprezada básica em quem não é assim. Ser assim não é um erro, o erro está em não respeitar quem é diferente disso.

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  9. A perfeição da vida está exatamente no fato de sermos tão diferentes, e tão iguais! É o que nos "separa" em grupos, e ao mesmo tempo é o que nos une! Quando fiz esse texto, a minha preocupação foi apenas mostrar que eu poderia sim me sentir excluída, como em alguns momentos senti, mas na verdade estamos todos juntos nessa grande viagem!

    Rodrigo, é impossível não sermos rotulados em algum momento por alguém. Mas, na minha humilde opinião, o que vale mesmo é não se sentir rotulado. =)

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  10. A essência é: Seja vc mesmo.
    Melhor saber humildemente menos, do que saber arrogantemente mais.

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  11. O que nos diferencia dos outros não nos faz suprior e muito menos inferior. Apenas, nos faz ser nós mesmos.

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